Um espetáculo de arte e cultura que promete encantar e emocionar o público!
Prepare-se para uma jornada artística que vai tocar sua alma e estimular seus sentidos! No dia 14 de março de 2025, dia do eclipse lunar total, o Cine Teatro de Lauro de Freitas, na Bahia, será palco da estreia do espetáculo "Meu Congá", uma verdadeira imersão cultural que mistura música, dança, teatro, literatura e artes plásticas. Este "eclipse artístico" vem resgatar a espiritualidade e resistência do povo nordestino, conduzindo o público a uma experiência única.
Primeiro, por que "Meu Congá"?
É sabido que entre cultos africanos trazidos por negros enraizados na cultura Nordestina, destacam-se o candomblé e a umbanda, com rituais, hierarquias e cerimônias que reverenciam suas divindades. Na Umbanda, "Congá" é um dos elementos centrais, sendo considerado o altar sagrado onde se realizam conexões espirituais. A palavra também vem de "Congada", manifestação cultural religiosa afro-brasileira que combina dança, canto, música, teatro e espiritualidade de matrizes africana e cristã.
Uma apresentação musical de tirar o fôlego!
O espetáculo "Meu Congá" é produzido por Josy Luz (presidente do Movimento PCD e vice-presidente da Academia de Letras e Artes), e Sérgio Pita (pesquisador e produtor cultural).
Mergulhando no universo simbólico e espiritual das comunidades sertanejas e sua relação com tradições afro-brasileiras, "Meu Congá" é idealizado pelo talentoso teatrólogo Renato Lima. Ator licenciado em Pedagogia e História, pós-graduado em Psicodrama, Psicanalista Clínico, Terapeuta Holístico e escritor, Renato canta e dança ao som da banda de mesmo nome, com performance autoral em letras e narrações marcantes em forma de contos e orações.
A direção musical é do também guitarrista Dr. John, que recrutou os competentes músicos Guga Gtz no contrabaixo, o jornalista e produtor musical Márcio Wesley na bateria, e seu blues-brother e membro honorário do time, Luiz Rocha na gaita de boca tocada com imenso apelo rítmico.
Juntos, eles exploram a estética sonora afro-brasileira, mesclando elementos da música nordestina, samba, samba funk e axé, com uma pitada do blues e soul oriundos da cultura afro-americana.
Vernissage
Exposição "Meu Congá – Presença dos Orixás":
O evento que reúne artistas da cidade inicia com a exposição "Meu Congá – Presença dos Orixás”, com uma narrativa envolvente e um rico acervo que convidam o público a interagir com o universo sagrado e explorar a conexão entre o humano e o divino. A curadoria é da artista plástica e museóloga Kátia Cunha.
Exposição Literária:
Em seguida haverá a "Noite Literária", que reunirá obras dos seguintes autores:
Renato Lima traz ao público "A Cigana do Mundo", uma narrativa envolvente que retrata a xenofobia e o preconceito cultural no Brasil e "Jonas e Marçal", lançado em 2024, que conta a história de uma amizade improvável e profunda, florescendo em meio a um cenário de guerra.
Ana Cecília marca presença com "Parida pela Liberdade", obra pulsante que nasce do caos e transforma experiências desafiadoras na poética de existir e no seu segundo livro "Nossa Pele", apresenta coletânea de prosas poéticas que capturam o movimento interno de uma mulher em constante transformação.
Márcio Wesley traz "Teatro Comunitário: resistência iluminada", livro-reportagem que investiga a potência do teatro como ferramenta de resistência e construção de identidade em Lauro de Freitas.
Serviço
•Data: 14 de março
•Horário: 17h30 (vernissage e literatura)
•Espetáculo: Meu Congá - 19h
•Local: Cine Teatro de Lauro de Freitas: Praça João Thiago dos Santos, s/n, no centro da cidade de Lauro de Freitas, na Bahia, 42700-000
•Ingressos à venda no local do evento: R$10 (inteira) / R$5 (meia)
Músicos
•Canto, leituras, teatro e dança: Renato Lima (direção do espetáculo)
Semana passada mostrei um pouco do acervo visual dos agradáveis encontros do projeto Papo de Gaita que contribuíram para a formação de uma empolgante cena da gaita em Salvador/Ba.
No primeiro vídeo vimos imagens do Sr. Leo Barros (remanescente do grupo Harmônica Trio - 1960), e pudemos notar como os encontros do projeto Papo de Gaita (SSA) incentivaram seu reencontro com a harmônica décadas depois.
No vídeo 2, mostramos o primeiro "filho" do projeto, isto é, a banda H3O Harmônica Trio, formada pelos harmonicistas Luiz Rocha, Breno Pádua e Diego Orrico, com show de estreia no finado Groove Bar, acompanhado de uma cozinha de peso.
No terceiro vídeo divulgamos cenas inéditas dos encontros do projeto realizados em 2010 na Casa Da Música de Itapuã, no Abaeté, momento em que o bioquímico e fã de gaita Ramon El-Bachá viu pela primeira vez a gaita baixo, emprestada por Leo Barros para amostra nos encontros. Ainda nesse vídeo, além da riqueza de interações ocorridas entre músicos profissionais e o público ávido por informações sobre o instrumento, vimos uma canção autoral de Ramon chamada "Tamaci", muito oportuna e com um alto teor crítico-reflexivo sobre os ciclos de causa e efeito da interação desastrosa entre homem e meio ambiente.
E agora apresento o quarto e último vídeo da série "Contos Sotero-Harmônicos", que mostra um desdobramento inusitado dos acontecimentos mostrados nos vídeos anteriores: o nascimento de uma banda de gaitas, única na Bahia e sua trajetória de disseminação da cultura da harmônica de boca por diferentes cidades do recôncavo!
Na semana passada comecei a postar alguns vídeos no canal, contando diferentes capítulos de uma mesma história de influências e inspirações, visando mostrar uma correlação de acontecimentos e interações ocorridos a partir do projeto Papo de Gaita (SSA) há dez anos, que contribuíram para formar uma cena da gaita na capital baiana. No vídeo 1 vimos a aparição do Sr. Leomiro Barros (remanescente do único trio de gaitas soteropolitano da década de 60) nos encontros do Papo de Gaita e seu reencontro com a harmônica cromática depois de décadas. No vídeo 2 contei um pouco sobre a banda H3O Harmônica Trio, formada por três gaitistas soteropolitanos que se uniram para um projeto audacioso. Agora, o vídeo 3 mostra o momento em que o bioquímico e fã de gaita Ramon El-Bachá viu, pela primeira vez de perto, e se interessou por uma gaita baixo, emprestada por Leo Barros para expor no evento "Semana Papo de Gaita" na Casa Da Música de Itapuã, que reuniu grandes apreciadores do instrumento e promoveu Jams, mostras de vídeos, sorteios de brindes e workshops. Enfim, os vídeos contam, na sequência, uma leitura interessante de fatos que contribuíram no fortalecimento da cena gaitística local, que incentivou pessoas a apreciarem ainda mais — e até a tocarem — o instrumento e integrarem grupos de gaita únicos na Bahia! Então, fique com o vídeo 3 da série!
Ao iniciar a semana, decidi postar uma sequência de vídeos que resgatam algumas imagens da cena da gaita soteropolitana durante o período do projeto Papo de Gaita (SSA-BA) iniciado em 2009.
Os vídeos com imagens e edições caseiras trazem uma leitura interessante da comunidade gaitística local, mostrando como a mesma estimulou pessoas a voltarem a tocar, ou pessoas curiosas a apreciarem ainda mais e tocarem o instrumento, ou até mesmo, a integrarem uma banda de gaitas!
No vídeo 1 contei um pouco sobre a história de Leomiro Barros, que surgiu com sua sacola de surpresas e relíquias num dos encontros presenciais do projeto e apresentou ao público uma gaita baixo guardada desde a época de seu antigo "Harmônica Trio" na década de 60 em Salvador. Também foi mostrado no vídeo, fotos de sua brilhante participação num show da banda H3O Harmônica Trio, que o possibilitou rememorar a época em que ele tocava em bares e casas noturnas da capital.
Mas que banda foi esta que o recebeu e o concedeu tal oportunidade de reencontrar-se com a gaita nos palcos depois de tantos anos, e a apresentar um número solo? É sobre esta banda que irei falar no vídeo de hoje pra contextualizar melhor essa história! São fotos e trechos do único vídeo registrado do grupo (H3O), que durou pouco menos de um ano e foi inspiração pra muita gente na época!
Então, fique com o vídeo 2 da série, e durante a próxima semana, postarei os dois vídeos restantes!
Você sabia que na década de 60 existiu um trio de gaitas que se apresentou na TV Itapuã bem na terra do acarajé? Esta curiosidade será contada no vídeo de hoje.
Aliás, disponibilizarei aqui no blog 4 vídeos que contam, na sequência, alguns acontecimentos que considero importantes para o fortalecimento do cenário da gaita soteropolitana.
Importante lembrar que "Sotero" em latim significa "Salvador". O mesmo vale para a palavra grega "Soter". "Polis" é o mesmo de "Cidade". Daí o nome "Soteropolitano", que designa aquele que nasceu na capital da Bahia. Por isso escolhi o título "Contos Sotero-Harmônicos".
Postarei imagens dos eventos do Papo de
Gaita SSA/BA em 2009 e 2010, onde foram realizados encontros de
apreciadores da harmônica de boca na loja de Cd´s Pérola Negra e na Casa da
Música de Itapuã no Abaeté, além de mostrar registros de grupos de gaita que surgiram como desdobramentos destes encontros, tudo com legendas que vão contando a história na sequência.
Nas primeiras reuniões do Papo de Gaita há onze anos, apareceu por lá o Sr. Leomiro Barros, agregando imensamente ao
projeto com suas histórias e sua sacola de surpresas e relíquias, entre elas, uma gaita baixo. O presente vídeo se concentra em cenas de suas participações, que muito influenciaram os acontecimentos que serão mostrados nos próximos vídeos. Conto um pouco de sua
história com a harmônica de boca, e da relevância de sua gaita baixo na cena gaitística soteropolitana.
Vale citar a presença do saudoso amigo guitarrista, produtor
musical e cantor de blues Álvaro Assmar, prestigiando e aplaudindo o evento lá no final deste vídeo.
Quem acompanhou a sequência da postagem anterior "A gaita nos lábios da fama (parte 1 de 2)", assistiu uma seleção especial de vídeos de artistas e músicos de talento e fama indiscutível que usaram a gaita em seus shows, gravações, e atraíram atenção de multidões para esse instrumento, levando uma enorme quantidade de pessoas a se encantar com o mesmo, e inspirando muitos a tentar tocá-lo. Inclusive expliquei para quem está começando a tocar gaita, algumas informações técnicas sobre os tons de gaita usados nos vídeos e sua relação com o tom da canção, além de indicar algumas vídeo aulas disponíveis na web com tablaturas e riffs. Agora espero contextualizar, no meu ponto de vista, como artistas consagrados que usam ou usaram a gaita em suas gravações e shows sem aprofundarem nas possibilidades técnicas do instrumento, tal como Bob Dylan, Bruce Springsteen, John Lennon, Alanis Morissette, Shakira, Neil Young, Bryan Adams, dentre outros, podem influenciar multidões a se conformarem com um padrão de som como se fosse a único que o instrumento pudesse atingir.
É curioso notar que, raramente, um músico numa apresentação de responsabilidade, se aventura a tocar em público um instrumento – acordeom, piano, sax, violino, bateria – sem dispor de noção técnica, de estudo do mesmo, mas por algumas razões, isso é bem comum de se acontecer quando se trata da gaita chamada de "diatônica". E isto ocorre não só com artistas famosos. Se por um lado, grandes pop stars deram visibilidade à harmônica de boca, por outro, esta visibilidade parece ter contribuído para difundir uma imagem da gaita como um instrumento supostamente sem muita possibilidade de variação sonora para além daquele som que se ouve tais artistas tocando. Claro que ninguém é obrigado a conhecer as reais possibilidades do instrumento e os músicos gaitistas que realmente exploraram a complexidade e variedade de sons, timbres e recursos em geral que a "gaitinha" oferece. Mas podemos observar que o padrão sonoro do instrumento tocado por celebridades que não estudaram de fato a gaita, onde geralmente se explora ritmo e notas agrupadas sem maior definição, nem variação de escalas e de efeitos, parece ter se tornado a referência para a maioria das pessoas, como se esse som mais "cru", fosse o único que se pudesse extrair de uma "gaitinha", entende? Então qualquer um que tira uma gaita do bolso e sopra de qualquer jeito displicente é imediatamente aplaudido e considerado um grande tocador de gaita. Consegue deduzir como isto impactaria gaitistas profissionais que estudam à sério o instrumento e dele vivem?
Há muitas pessoas no meio musical que enxergam a harmônica de boca como um instrumento sem maiores possibilidades – vêem-na quase que como um brinquedinho sonoro – que pode tocar de qualquer jeito; sem técnica; sem cuidado; que não precisa estudar como outros instrumentos; e que só se toca no feeling. Pra quê chamar um gaitista pra gravar ou pra tocar já que o próprio vocalista ou outro músico qualquer da banda pode tirar uma gaitinha do bolso naquela música, fazer uma graça e todo mundo vai aplaudir? Essa cultura da gaita como "brinquedinho fácil" termina sendo disseminada também entre produtores e técnicos de som e de estúdio, donos de bares, etc. Então um instrumento assim não é prioridade, seja na composição da banda, seja na passagem de som, afinal qualquer um pode tocar de qualquer jeito, em qualquer microfone, sob qualquer equalização. A quantidade de situações que desmerecem a gaita e gaitistas é enorme, e quase sempre as pessoas se espantam ao ter a oportunidade de ouvir quem toque de maneira mais refinada, principalmente quando utilizados alguns equipamentos que proporcionam ao instrumento um som mais robusto, fazendo-lhe soar semelhante a uma guitarra.
Na verdade não quero avaliar que seja "errado" pessoas que não necessariamente estudaram gaita a fundo tocarem a gaita sem sabê-lo, nem definir qual som seria "melhor" ou "pior". Longe de querer insinuar que músicos famosos como os citados no primeiro parágrafo não devessem tocar gaita em seus shows, mas apenas venho reforçar um fato: quanto mais músicos famosos arriscam tocar gaita sem estudá-la, sem saber os preceitos básicos do instrumento (embocadura, respiração, articulação); sem deixar claro que se trata apenas de uma graça, um flerte, uma aventura; então, mais eles contribuem para disseminar esta imagem simplória e caricata do instrumento como se isto representasse sua totalidade sonora. Só quem já ouviu o som da gaita tocada por harmonicistas profissionais, sabe reconhecer o verdadeiro potencial de uma "gaitinha" e discernir do som daqueles que estão apenas "brincando" de soprar o instrumento.
Segue uma seleção especial de vídeos de alguns artistas famosos que usaram pessoalmente a gaita em alguns de seus shows, gravações, e atraíram atenção de multidões para esse instrumento. Músicos consagrados e de talento e fama indiscutível como eles tocaram a gaita de forma mais simplificada – com exceção do Bruce Willis e do Steven Tyler, que para mim, são os únicos da lista que merecem o título de "gaitistas". Todos eles contribuíram imensamente na popularização da "gaitinha de blues", levaram uma enorme quantidade de pessoas a se encantar com a harmônica de 10 orifícios, e até a se interessar em aprender como tocá-la, embora, me pareça também que, com exceção de alguns deles, também podem ter colaborado para difundir uma sonoridade mais básica se comparada com o som que uma gaita realmente pode oferecer. Aqui me dediquei a comentar estes vídeos e mostrar alguma informação técnica sobre o tom da gaita, a posição usada nos mesmos e mostrar alguns dos riffs e frases tocadas. Então vamos à gaita nos lábios da fama!
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 1
Na música Folk, músicos de fama utilizaram a gaita para executar solos e riffs (pequenos temas tocados ao longo de uma canção de forma repetitiva). Bob Dylan desenvolveu um estilo próprio que se tornou modelo para inúmeros músicos folk como Bruce Springsteen. Ambos usaram bastante a gaita e, geralmente, tocando no modo "straght harp", ou seja, uma gaita de mesmo tom da música, explorando riffs ricos em acordes e ritmo. Na primeira canção usa-se uma gaita em Sol (G) e na segunda, uma em Fá grave (F low). As notas numa gaita diatônica comum estão distribuídas em seus dez orifícios soprados e aspirados, de forma que ao soprar em qualquer região da mesma, obtém-se sempre o som do acorde referente ao tom da gaita. Por isso que numa gaita de mesmo tom da música, em qualquer lugar que se toque um grupo de notas sopradas, o som soará relativamente harmônico tal como nestes videos! E é isto que empolga e encanta muitas pessoas curiosas e entusiastas do som deste instrumento a arriscarem uma graça com ele: é que, à princípio, ao se pegar uma gaita de mesmo tom da canção e soprar e aspirar com algum ritmo, parece-se que tocar gaita é muito fácil. Sim, esta é a forma mais fácil e menos técnica de tocar a gaita.
Bob Dylan
Bruce Springsteen
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 2
A one, a two, a one, two three.... em 1962, no Rock And Roll, a canção "Hey Baby", cantada por Bruce Channel, tinha um solo de gaita e fazia grande sucesso entre os jovens na Inglaterra e nos EUA. Há quem diga que o Bruce Channel nesta canção influenciou os Beatles em temas como “Little Child” e “Love Me Do” que contém solos de gaita. Abaixo a própria "Hey Baby" que apresenta fiffs (sequência de notas tocadas de forma repetitiva) na posição "straght harp" com uma gaita diatônica em A (lá), diferindo das canções anteriores por se explorar uma forma mais melódica de tocar, isto é, isolando nota por nota, sempre de forma bem mais simplista e distante do que uma gaita realmente é capaz de oferecer em termos de possibilidades sonoras. Inclusive, para você que está começando a tocar e já consegue separar as notas, lhe convido a pegar a sua gaita em lá e praticar este riff inicial junto com a canção! Vamos lá? 5s 6s 6a 6s 5a 6s 5s 4s 4s 5s 6s 5s 4s 4s 3s 4s 4s 5s 6s 6a 6s 6a 6s
Bruce Channel em Hey Baby
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 3
No blog Vitrola Minha Vitrola pode-se encontrar um trecho que aponta que a harmônica renitente de James Ray em “If You Gotta Make a Fool of Somebod”’ também influenciou o John Lennon a tocar alguns solos de gaita nos Beatles em início de carreira. Esta canção já traz outra modalidade de tocar, que se chama "cross harp" e consiste em tocar numa gaita 2 tons e meio acima do tom da música. Na ocasião usa-se uma gaita em C (dó). Nota-se um arranjo já mais trabalhado que as anteriores, incluindo bends e o famoso efeito de concha ou "wha wha", no entanto, ainda se trata de algo mais simplificado do que como um gaitista mais seguro no instrumento realmente tocaria. Ao que parece, essa canção é da década de 60, quando já existiam inúmeros gaitistas de blues com sonoridade incrivelmente mais sofisticada e técnica.
James Ray em "If You Gotta Make a Fool of Somebody"
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 4
Quanto a John Lennon ter sido Influenciado pelas performances de James Ray na gaita em canções como “If You Gotta Make a Fool of Somebody”, algumas páginas especializadas contam que esse foi um dos fatores no sucesso das gravações dos Beatles no início de carreira. Há relatos de que os Rolling Stones foram primordiais para inspirá-los a tocar gaita em algumas canções. De fato, muitos sucessos dessa fase inicial apresentam execuções de gaita e elas são um fator diferencial entre as canções da época. Um dos álbuns que mais contém gaita, segundo fãs, é o “Please Please Me”. Em "Love Me Do", segue mais um arranjo em "cross harp" - 2ª posição - usando uma gaita em C (dó) numa canção no tom de G (sol). Se você está iniciando os estudos na gaita, que tal pesquisar os diversos vídeos de gaitistas mostrando como tocar esta canção? É um bom riff para começar! Na canção, "Litlle Child", está um exemplo de execução de gaita um pouco mais sofisticada que as anteriores, mas ainda tocada de forma mais crua do que já se fazia com a gaita na época. O solo está em "cross harp", explorando mais recursos do instrumento como acordes, trinados, efeito de concha.
Love Me Do
Litlle Child
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 5
“Exile On Main St.” é considerado por muitos o álbum mais representativo da carreira dos Rolling Stones. O Lado B privilegia a música country. A acústica “Sweet Virginia” tem vocais nitidamente inspirados nos trejeitos do músico norte americano e traz o trabalho de Mick Jagger na gaita. Durante sua primeira turnê em 1964, os Stones gravaram por dois dias no Chess Studio, onde conheceram Muddy Waters, maior ídolo de Jagger. Foi inspirado em seus grandes heróis de Chicago que adotou a gaita em suas performances. A canção abaixo está em Lá maior (A) e a gaita usada é de mesmo tom. É um riff interessante para quem está iniciando na gaita. Recomendamos a vídeo aula do Gigo Blues logo em seguida.
Mick Jagger (Rolling Stones) – Sweet Virginia”
Gigo Blues mostra como tocar "Sweet Virginia"
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 6
Veja uma seleção de performances de Steven Tyler (vocalista da banda Aerosmith). Na sequência, a canção "Pink", que fez bastante sucesso e apresenta um solo com uma gaita em Dó (C) tocada em "cross harp" / 2ª posição, e de uma forma bem mais trabalhada que as anteriores na direção de o que uma gaita pode oferecer. Para um gaitista mais experiente, nota-se que provavelmente o artista ainda estava aprendendo a isolar as notas e a fazer alguns bends. Indicamos uma vídeo aula do gaitista Igor Kasuya que mostra como tocar estes riffs!
Steven Tyler
Steven Tyler
Igor Kasuya ensina os passos para tocar "Pink"
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 7
Tocando gaita e cantando, Bruce Willis reuniu músicos e formou a sua própria banda de rock and blues. A carreira dos Accelerators começaria antes ainda de Willis assumir o papel em "Duro de Matar" que o consagraria definitivamente, com o disco "The Return of Bruno" (87), lançado pela Motown. Aqui está um exemplo de um músico famoso que se aprofundou mais na gaita blues. Particularmente gosto deste som, embora, no meu entendimento, seus riffs (nestes vídeos) ainda careçam de mais precisão, técnica, conhecimento de escalas no instrumento, detalhes que podem passar despercebidos devido aos equipamentos que ele está usando, como microfones de estilo "bullet" (próprios para gaitistas) e amplificadores que deixam o som mais distorcido e robusto.
Bruce Willis
Bruce Willis
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 8
Vinda da Colômbia e alcançando a marca respeitável de mais de 25 milhões de discos vendidos, cantando, compondo, dançando, coreografando, produzindo, há muitos vídeos e gravações da Shakira tocando harmônica em seus shows com muita presença de acordes, rítmica... Enfim, muitos gaitistas mais experientes torcem o nariz para execuções como estas, mas é uma das possibilidades da gaita!
Shakira
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 9
Considerada por muitos como "uma das mulheres mais influentes na música", e que por isso dispensa comentários, vinda do Canadá, Alanis Morissette usou gaita em algumas de suas canções e certamente contribuiu para que muita gente se apaixonasse pela instrumento. Uma de suas canções com gaita que mais fez sucesso foi "Head Over Feet", embora aqui escolhemos o clip da canção "Hand in my Pocket", que também tem uma execução harmônica do instrumento em 1ª posição ou "straght harp". Necessário deixar muito claro que ela não fez quase nada na gaita, apenas soprou e aspirou com algum ritimo, deslisando por diferentes regiões do instrumento. Qualquer pessoa que nunca tocou antes, que adquiriu uma gaita em Sol (G) nesse momento, e que dispõe de um pouco de ritmo, pode fazer exatamente o que ela está fazendo neste vídeo.
Alanis Morissette
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 10
Conhecido por sua voz suave e suas letras pungentes, Neil Young tornou-se uma lenda do rock americano, embora seu estilo musical também tenha incluído o folk e o country rock, alternando com álbuns mais "pesados" em que algumas músicas se aproximam do hard rock. A gaita, é claro, é sua velha companheira de apresentações, embora não tenha se aprofundado nas demais possibilidades sonoras do instrumento e, ao que parece, tocou quase sempre em "straight harp" no estilo Bob Dylan. Achamos uma vídeo aula do Tomlin Leckie explicando como tocar esta a canção "Heart of Gold" com sua gaita em G (sol).
Neil Young
Tomlin Leckie mostra como tocar Heart of Gold
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 11
Engenheiros do Hawaii é uma banda brasileira de rock, formada em 1984 na cidade de Porto Alegre que alcançou grande popularidade com suas canções líricas e críticas. "Acústico MTV" é um álbum desta banda de rock brasileira, lançado em CD e DVD em Novembro de 2004. O disco reúne a maior parte dos sucessos da banda e Humberto Gessinger, o Band-líder, certamente contribuiu bastante para disseminar o som da gaita em canções como "O Papa é Pop" e "Até o fim". Nas duas canções usa-se uma gaita em G (sol) em 1ª posição (mesmo tom da música). Mais uma vez agradecemos ao gaitista Igor Kasuya pela vídeo aula que explica como tocá-la!
Engenheiros do Hawaii - O Papa é Pop
Engenheiros do Hawaii - Até o Fim
Igor Kasuya ensina a música "Até o Fim"
A GAITA NOS LÁBIOS DA FAMA # 12
E mais alguns exemplos da harmônica de boca roubando a cena no folk e pop... Bryan Adams é um dos artistas apontados como mais bem sucedidos da década de oitenta. U2 é uma banda irlandesa de pop formada em 1976 que dispensa comentários. Tanto Bryan Adams quanto Bono Vox arriscaram um solo de gaita em uma ou duas de suas canções em shows, e isso provavelmente levou muita gente a simpatizar com o instrumento!
Bryan Adams - Straight From The Heart
Bono Vox - U2 Running to stand still
É isso!! Na próxima postagem, irei comentar um pouco mais sobre os efeitos da popularização da gaita "nos lábios da fama" de músicos que não necessariamente se especializaram no instrumento, que só se aventuraram com a "gaitinha", mas que por vezes, a divulgaram para públicos maiores do que exímios gaitistas, e questionarei a qualidade técnica e os impactos desta divulgação no mundo da harmônica de boca e dos harmonicistas profissionais.
Uma mostra do competente trabalho de Leôncio Torneiro (LT CUSTOM - Uberaba/MG), que fabrica, restaura e customiza microfones para gaita, fazendo assim "a alegria dos gaitistas" como ele mesmo costuma brincar em suas publicações! Nas fotos, segue o antes e depois dos mics Astatic JT-30 e Astatic T-3, ambos de uso do gaitista Luiz Rocha. O primeiro estava com a pintura descascada e sem funcionar. Foi realizada revisão de parte elétrica, serviço de torno e fresa na fabricação de novo conector de rosca, adaptações na carcaça para instalação de potenciômetro + knob (controle de volume), pintura + cromo (a gosto do gaitista), desmontagem e montagem.
O segundo mic recebeu uma alteração em seu conector cannon original fora de série, onde encaixava um cabo específico, o que tornava o mic inválido caso tal cabo fosse danificado, o que realmente era o que vinha ocorrendo. O conector foi então adaptado para o formato de rosca, e agora o mic pode receber adaptadores switchraft P-10 e funcionar com qualquer cabo de guitarra disponível no momento. Foi necessário revisão de parte elétrica, fabricação de conector de rosca e adaptações na carcaça para instalação do mesmo.
"Além da qualidade do serviço, faço questão de destacar o profissionalismo e a simpatia no atendimento", diz Luiz Rocha, que se mostrou bastante contente e satisfeito com a atenção que recebeu. "Foi muito importante receber uma satisfação sobre todo o processo, passo passo, as fotos, que me eram enviadas, as perguntas, sugestões, o fato de eu ser procurado na maioria das vezes, receber ligações, mensagens dando alguma satisfação, ao invés de precisar eu correr atrás dele pra saber do andamento do serviço. Isto me transmitiu muita confiança", acrescenta.
A LT Custom também já fez serviços e envios de material para outros gaitistas como Jefferson Gonçalves, Ivan Márcio, Gustavo Nascimento, dentre outros que comprovam a eficiência de seu trabalho! O Papo de Gaita indica a LT Custom a todos que queiram dar uma turbinada em seus mics ou adquirir peças e acessórios para gaitistas. O serviço de torno e fresa permite atender a diferentes demandas com eficiência e ampla produtividade. Contatos pelo zapfone 34 98819-8821 ou inbox no facebook de "Leôncio Torneiro".
Quando é comum a maioria das pessoas deixar seus hobbies e paixões para trás, esse conto incomum de nunca desistir do que mais ama, inspira esperança.
São 20h30 e é a hora do rush na estação de metrô Rajiv Chowk, em Delhi – Índia. Em meio ao caos e clamor frenético, perdura o doce som de uma gaita que chama a atenção de muitos passageiros.
Apesar de ser proibido tocar música dentro das instalações do metro de Delhi, Munindra Sagar é uma exceção. Com sua música, a atmosfera estressada da estação de metrô Rajiv Chowk parece aliviada. Originalmente de Haridwar, Sagar tem tocado desde a infância e pode tocar 40 músicas estranhas, que variam do devocional e patriótico ao romântico e emocional.
Sagar leciona inglês numa Escola Britânica de Idiomas, Noida. Ele mora com a esposa e um filho em East Delhi, na Índia, e o que o diferencia de um professor comum é sua paixão por tocar gaita nas estações de metrô. Curiosamente, no instituto em Green Park, onde ele ensina inglês, muitos não conhecem o talento escondido de Sagar. "Eu contei apenas a alguns membros do corpo docente porque o gerente quer manter uma atmosfera séria. Eu tiro o órgão da boca na loja da Kuldeep Paranthe Wala, perto da estação de metrô Gautam Nagar. Há jovens casais que querem que eu toque uma música toda noite."
Com uma marcha de Pied Piper (flautista encantado), este homem de 60 anos caminha soprando em sua gaita melodias de antigas canções de filmes hindi.
Ele toca dentro do Metrô de Delhi desde 2011 e passou a ser conhecido como "Melody Man do Delhi Metro" (Homem melodia do metrô de Delhi) ou "Amazing Mouth Organ player in Delhi Metro" (incrível tocador de órgão de boca do metrô de Delhi). Sagar conta que a gaita é uma opção barata, útil e versátil para tocar música. "Há muitos jovens com violão para impressionar as garotas." No entanto, como qualquer outro instrumento, a gaita também exige paixão e dedicação. "Se você tem, você pode aprender em seis meses. Você precisa de pulmões fortes e controle sobre a respiração."
Depois de se casar e com todas as responsabilidades paternas, ele não ficou com muito tempo para tocar. Por ano, ele nem sequer podia pagar por um instrumento. "Eu não tive escolha. Eu tinha de alimentar minha família ou brincar de gaita", disse ele em relatos colhidos nos links que serviram de fonte para essa pesquisa. Esta foi uma fase difícil em sua vida. As coisas mudaram em 2011, com um novo emprego. "Uma vez voltando do trabalho, comecei a tocar suavemente no metrô e as pessoas começaram a prestar atenção". Ele decidiu usar seu tempo para fazer o que mais ama – tocar gaita. "Eu percebi que deveria tocar para as pessoas". Quando começou a receber muitos elogios, Munindra encontrou um propósito de vida – tocar para as pessoas e espalhar a felicidade.
Em sua página no facebook, podemos encontrar o seguinte status: "Começou um novo emprego em trabalho autônomo (autônomo) em música instrumental devocional. A música é terapia para a mente e a alma. Eu uso o humor como terapia para a mente e as almas inquietas. Eu também sou viajante."
Entre outros relatos nas pesquisas que fiz, encontrei esse rico depoimento: "Uma vez toquei por todo o caminho desde o meu instituto até a estação de metrô. Eu estava tão absorto em tocar que nem percebi quando passei pela verificação de segurança e cheguei à plataforma. Enquanto eu tocava suavemente, as pessoas na plataforma começaram a se reunir ao meu redor. Eles foram atraídos pela minha música", conta. "Uma vez o segurança me disse para guardar o instrumento, pois é ilegal tocar no metrô". Sagar respondeu: "Estou no meu direito, minha gaita irá me acompanhar até meu último dia." Quando os passageiros exaustos, frustrados depois de um dia de trabalho lhe ouvem tocar, encontram um motivo para se sentir bem. "Eu toco para fazer as pessoas felizes".
Muitos oferecem-lhe dinheiro para tocar algumas canções. Mas ele sempre investe o valor em crianças para que possam estudar. Nesse vídeo a placa diz "Salve esta menina para tornar o mundo mais belo".
"Eu não faço isso por dinheiro nem por atenção, mas gosto de aplausos genuínos. Apenas uma vez eu aceitei duas mil rúpias de um velho empresário que queria que eu comprasse um instrumento melhor. Eu sou um sujeito maluco. Eu não pude me conter. Antes eu costumava tocar nos pontos de ônibus. Quando o metrô apareceu, pensei ser uma boa ideia. Mais cedo eu estava com medo das regras, mas agora estou ansioso para todas as noites. Eu não toco pela manhã porque, nesta hora, acho que não sou necessário para os passageiros."
Outro dia, narra Sagar, sua rotina diária se transformou em um espetáculo. "Uma jovem veio e sentou-se ao meu lado. Logo ela começou a dançar ao som de 'O gorey gorey o bankey chhorey'. Uma multidão se reuniu e os guardas tiveram que intervir. Mais tarde, a garota me contou que teve um dia ruim, pois teve uma briga com o namorado e eu mudei seu humor". A garota em questão é Shreyanshi Shrivastava, uma estudante de jornalismo da Universidade IP e uma dançarina treinada de Kathak. "Eu não conseguia me controlar. Essa foi a atração de sua música. Acho que devemos promover essa música, pois ajuda a reduzir o estresse da ladainha diária. Em alguns países, há uma forte presença de artistas de rua e espaços públicos. Aqui, em nome da segurança, restringimos a arte. Acho que as agências devem permitir a expressão da arte, desde que ela não se torne uma ameaça à lei e à ordem", diz Shreyanshi.
Sagar se tornou uma figura bastante popular na estação de metrô. Toda noite ele está lá por volta das 8h30 para acalmar os nervos dos passageiros, indo para casa depois de um dia agitado no trabalho. Suas músicas interrompem as conversas e fazem as pessoas se moverem ao ritmo das velhas ditties. Alguém viu jovens curiosos reunindo-se em torno dele, gravando sua música como toques, pedindo seu número de telefone. Alguns o acham um exibicionista, mas eles desaparecem quando descobrem que Sagar não é um buscador de atenção. Ele toca algumas músicas e segue em frente.
"Ao tocar gaita, sinto-me extremamente perto de DEUS e sinto que minha alma está gostando. Eu sinto que quando eu toco harmônicas, os ouvintes esquecem o estresse, a tensão. Fico feliz em sentir isso que através do meu instrumento eu posso diluir o estresse humano. Este é apenas o meu motivo, tocar a mente e a alma e ouvir os ouvintes felizes através da música".
Estou em 2018, e pesquisando sobre o gaitista Snooky Pryor no You tube, surgiu logo na sequência um vídeo de uma seleção de canções de outro gaitista que eu nunca havia escutado. Foi assim que descobri o álbum de 12 faixas "This Stuff Just Kills Me" do ano de 2000 do gaitista Jerry McCain.
Não conhecia o trabalho dele, apesar de eu tocar gaita desde 2001 e gostar bastante do blues. Fiquei contagiado com esse som, o timbre de voz, as linhas de baixo tão criativas e bem características do blues tradicional, os arranjos, temas, os timbres dos instrumentos, uma gaita encorpada, sem escalas tão precisas tal como mostra a tendência dos gaitistas mais modernos, mas carregada feeling, de verdade. Tive a sensação de estar ouvindo alguém se expressando com honestidade, e não apenas se exibindo. Enfim, adorei especialmente as levadas slow "Jealousy", "Madison Mood". Então, logo percebi que se tratava de um álbum bastante maduro, que não foi gravado de qualquer jeito e nem por "qualquer um". Procurei mais gravações dele e encontrei outro álbum chamado "Love Desperado" de 1992, contendo canções um pouco mais rítmicas que o primeiro e linhas de baixo igualmente marcantes, desta vez, mais dançantes, entrando numa onda mais Rhythm Blues – destaque para "Non Stop Lovin'" e "Lovin' School".
Decidi então pesquisar mais sobre a vida e obra do artista e descobri que o cara já não está mais entre nós, partiu em 2008 aos seus 81 anos e os dois álbuns citados foram os mais recentes de sua carreira, somados a "Blues 'n' Stuff", "Struttin 'My Stuff", "I've Got The Blues All Over Me", "Retrospectivas" e "American Roots: Blues", álbuns do final da década de oitenta e início de noventa, todos lançados pela Ichiban Records, ao que parece, a última gravadora por onde passou.
Blogs estrangeiros e sites como Wikipédia contam que Jerry McCain foi um gaitista de blues americano nascido no Alabama, e dizem que não foi apenas um excelente gaitista amplificado, mas também um dos mais influentes, e um dos compositores mais engraçados do gênero. O cara podia tocar duas gaitas ao mesmo tempo, uma com a boca e outra com o nariz. O mesmo poderia fazer o mais conhecido Sonny Boy Williamson II, que disse ter inventado a técnica, mas McCain sempre contestou isso. Algumas fontes de pesquisa afirmaram que o artista fez parte do roll dos mais influentes gaitistas de blues da história americana, destacando-se por suas habilidades rítmicas no instrumento, e que suas canções foram e são admiradas por sua maneira natural e bem humorada de cantar, fazendo comentários sociais de forma um tanto irônica. Ao longo de sua carreira, ele passou de selo em selo, gravando canções autorais, na esperança de conseguir sucesso. Trumpet, Excello, Jewel, Gas, Continental, Romulus, Royal American, Rex, Okeh, todas produziram singles de Jerry na década de 1950 até a década de 1970. Dizem que ele escreveu e compôs sua própria música, e no estúdio fez tudo exatamente do jeito que queria, que era bastante teimoso, e por isso causou divergências com alguns donos de gravadoras.
Estou desapontado, pois quase não há vídeos de performances dele. Esperava mais reconhecimento e registros para um artista desta categoria. Contudo, ao contrário da raridade dos vídeos ao vivo, há muitos vídeos no Youtube de suas gravações nos selos por onde passou. Vale a pena pesquisar cada época de sua carreira, já que demonstram variações de tendências, ora Blues, ora Rhythm Blues, Soul, mas sempre cultivando sua singularidade. Ele é definitivamente um herói desconhecido e a maioria das pessoas sabe de sua música "She's Tough" através da banda T-Birds (Kim Wilson) e da famosíssima "Steady" que é um clássico instrumental de todos os tempos. Infelizmente pouco ouvimos falar dele, embora sua importância para o blues não foi menor do que a de grandes nomes como Little Walter, Big Walter, James Cotton, Junior Wells, dentre outros "gigantes".
Jerry McCain viveu no Alabama, um estado que não é conhecido como terreno fértil para os tocadores de gaita. Residindo ao longo da vida na cidade de Gadsden, ele era o mais novo de cinco filhos e tocava gaita desde os cinco anos de idade. Teve dois tios que também tocaram harmônica de boca e sua mãe tocava violão. Como um adolescente, ele também tentou com guitarra, bateria, trompete, até encontrar a inspiração em artistas como Sonny Boy Williamson I, e gradualmente, ir se tornando um gaitista. Contam que quando ele era jovem se inspirou em músicos itinerantes que tocavam nos bares locais e esquinas das ruas de Gadsden, desenvolvendo assim suas habilidades. Antes de fazer qualquer gravação, quando adolescente, Jerry costumava se apresentar na estação de rádio WETO, acompanhado por amigos tocando dois instrumentos bem característicos da época: um jarro (muito usado pelas Jug Bands naquela época, para extrair um som semelhante ao de um baixo ao ser soprado em sua abertura) e uma tábua de lavar roupa (as famosas "washboards" usadas para manter o ritmo, tocadas com um passar de unha, garfo ou dedal sobre suas ondulações).
Em sua adolescência começou a tocar música semiprofissional e durante a década de 1950, com aproximadamente vinte anos, fundou sua primeira banda baseada nos tradicionais blues e Rhythm 'n' blues do sul, mas com uma nova abordagem, uma nova nuance que era agressiva e descontrolada, mas de uma maneira única para a década de 1950. Jerry McCain e seu Trio consistiam no próprio Jerry nos vocais e harmônica, Christopher Collins na guitarra, e os irmãos mais velhos de Jerry, Roosevelt e Walter, que tocavam bateria alternadamente.
Era óbvio que, mais cedo ou mais tarde, os jovens músicos também queriam fazer um disco, conseguindo uma máquina de gravação barata em algum lugar do Alabama, e gravando sua própria versão de "Crazy 'Bout You, Baby", de Little Walter (de quem Jerry foi fã). A gravação foi enviada à Trumpet Records e gostaram tanto que os convidaram para a primeira sessão em Jackson, MS. A. Isto marcou a estreia de McCain na Trumpet em 10 de outubro de 1953, reforçada pelos homens da sessão de trompete, por David Campbell no piano, Herman Fowlkes no baixo, e Bernard "Bunny" Williams, que tocou o segundo instrumento solo, sax tenor. As músicas capturadas nessa primeira sessão foram "East Of The Sun" e "Wine-O-Wine". No ano seguinte, "Stay Out of Automobiles" e "Love to Make Up", que foram melhor gravadas. O curioso dos títulos de Jerry neste selo foi o emparelhamento de gaita com saxofone, instrumentos cuja combinação é incomum para um registro de blues.
Jerry ganhou o apelido de "Boogie" por sua facilidade com melodias rítmicas aceleradas. "Boogie McCain" também foi influenciado por Sonny Boy Williamson II (conhecido como Rice Miller), tanto tecnicamente, como mentalmente – desde que os dois se apresentaram durante a primeira sessão de gravação de McCain para Trumpet em 1953, e ao longo dos anos, Jerry foi contagiado principalmente pela música de Little Walter Jacobs, chegando a dar uma canja com ele no palco em turnê deste último em Gadsden em 1953. Logo após iniciou gravações na Excello, de Nashville, a terra do Country Music, e durante sua temporada por lá (1955-57), desenvolveu seu estilo harmônico amplificado e letras de blues incomuns. Gravou como "Jerry McCain e His Upstarts". Uma faceta interessante das sessões de McCain na Excello foi a fusão de vários estilos de blues. Esse período rendeu o álbum "That's What They Want", com o amigo Christopher Collins na guitarra. A canção muito semelhante a "Mannish Boy", de Muddy Water (e "I'm a Man", de Bo Diddley) abordava um tema familiar: um cara com uma carteira vazia e sua capacidade de "pegar uma garota". "Run, The Uncle John!", "Trying to Please", "My Next Door Neighbor" e "The Jig's Up" também se destacaram.
Uma curiosidade: Jerry "Boogie" McCain ganhou status de celebridade no mercado de jukebox do sul com os singles Stay Out of Automobiles, Courtin' in Cadillac, e outras peças vistosas para os rótulos Trumpet e Excello que o colocam na posição de artista de grande importância para o surgimento do Rock ‘n’ Roll. A última canção citada é um comentário social sobre a cultura da época, uma vez que os Cadillacs dos anos 1950 e 1960 foram alguns dos maiores veículos de passageiros construídos nos EUA, e foram certamente a exibição mais extravagante de riqueza, implícita ou real. Há inclusive um filme chamado "Cadilac Records" que retrata a ascensão do Blues de Chicago na década de 50 e a história de músicos lendários como Muddy Waters e Little Walter gravando para a Chess Records.
Posteriormente, na década de 1960, Jerry assinou contrato com a Rex Records e gravou "She's Tough", seu single mais reverenciado de todos os tempos, juntamente com a instrumental "Steady". Os críticos consideram esta última como um clássico da gaita do blues e no mesmo patamar de "Easy", de Walter Horton, "Blues in the Dark", de George Smith, e vários dos melhores de Little Walter. "She's Tough" só veio a fazer sucesso 20 anos depois de gravada quando tocada em shows da The Fabulous Thunderbirds, banda do gaitista Kim Wilson. Nesta época McCain deu uma volta pelo Alabama e pela Geórgia e fez mais gravações. Lançou singles e álbuns para a Columbia, sob a gravadora Okeh Records (1962), e para a gravadora Jewel (1965-68).
Embora a instrumental "Jet Stream" – lançada em Okeh em 1962 – fora elogiada pelos críticos, a vida de músico não podia sustentá-lo e ele trabalhou como caçador de recompensas, como investigador particular (para a Williams International Detective Agency, Inc.). Trabalhava em qualquer tipo de caso, civil ou criminal, especializado em casos domésticos.
Os King Bees (banda norte-americana de Rhythm Blues dos anos 1960) se dizem privilegiados e emocionados por terem tido Jerry McCain como um querido amigo e mentor por mais de 20 anos.
Jerry McCain cresceu em segregação em Gadsden Alabama, onde permaneceu toda a sua vida. Ele levou a questão dos direitos civis muito a sério. As dezenas de canções que ele escreveu em uma carreira de seis décadas abraçaram a irônica observação social. McCain apoiou os objetivos do movimento dos direitos civis, mas não se considerou parte dele. Acreditando que os tempos perigosos justificavam a autodefesa armada, ele não podia se comprometer com a "não-violência" porque sabia que seu instinto seria revidar se fosse atacado. Ainda assim, ele admirava a disciplina de amigos e familiares não-violentos que participaram das lutas pelos direitos civis de Gadsden. Quando Martin Luther King Jr. falou em Gadsden em 21 de junho de 1963, McCain se juntou à caravana que escoltou King com segurança de Birmingham à Galilee Baptist Church de Gadsden. Ele apreciou plenamente os sacrifícios que muitos fizeram na guerra e em protestos e marchas para ganhar e garantir este direito para todos. Welfare Cadillac Blues (1970), uma resposta a uma canção country racista, colocou seu nome de volta nas jukeboxes, mas logo depois sua carreira se desvaneceu.
No início dos anos 80, os deveres do detetive particular pareciam ser história, e mais uma vez Jerry estava concentrado principalmente em atividades musicais. Ainda assim, ele não fez nenhuma nova gravação até 1984. Em 1985 lançou mais dois singles em Merit e, em 1989, um na Heart Records: Um country chamado "Soul Shag".
Ainda em 1989, depois de um período de apresentações e turnês com bandas menos conhecidas, McCain assinou com a gravadora Ichiban e lançou os álbuns "Blues and Stuff" , "Struttin 'My Stuff" e "Love Desperado" já mencionados nos primeiros parágrafos. Apesar de sua atuação desde a década de 50, ele teve que esperar mais do que muitos de seus contemporâneos para ser convidado para a Europa, mas depois de sua primeira viagem em 1990, ele era frequentemente chamado para festivais e compromissos de clubes. Foi neste contexto que Jerry também lançou o CD "Broad Street Blues Bash", uma compilação à venda no 1997 Riverfest Event (o festival anual de música na cidade de Gadsden, que dedica um dia totalmente a Jerry, anunciado como "The Jerry McCain Broad Street Blues"). Durante seu tempo na Ichiban, McCain também lançou em 2000 um disco no selo Jericho, "This Stuff Just Kills Me", que contou com participações de Johnnie Johnson, John Primer, Anson Funderburgh, Jimmie Vaughan e percussão de Tommy Shannon e Chris Layton. "Unplugged" (2001) e "Boogie Is My Name" (2004) foram lançados no próprio Music Maker / Boogiedown Records, e ambos os álbuns provaram que o maestro da gaita ainda estava em ótima forma para sua idade. Em 2002 lançou American Roots: Blues, pela Ichiban Records.
A trajetória de McCain reflete a exploração muito comum de músicos afro-americanos pela indústria fonográfica das "grandes gravadoras". Durante meio século, ele tocou e cantou o blues do Alabama, misturando humor, romance, comentários sociais e visão de mundo pessoal. Mesmo não tendo feito sucesso como outros gaitistas de sua época, e não tendo ganhado tanto dinheiro, sua energia e entusiasmo nos palcos permaneceram inalterados. Jerry foi um herói desconhecido. Viveu em Gadsden, dirigiu seu próprio clube noturno, "Boogie McCain's", e tocou aqui e ali ocasionalmente. Apesar do longo período no negócio da música sem o merecido retorno, ele não tinha planos de se aposentar. Faleceu aos 81 anos de idade em 28 de março de 2012 em sua cidade natal.